Futuro do Trabalho

O futuro do trabalho: a quarta revolução industrial

11-07-2017 Publicado por Tecnologia, Todas as categorias 2 comentários em “O futuro do trabalho: a quarta revolução industrial”

O que você faz hoje? Digo, em termos profissionais. Qual a sua profissão? Que tipo de função você exerce? Sem contar a competitividade com outros profissionais do mercado – por salário, por competência, por influência, entre diversas outras características – alguma coisa que faz (ou tudo) pode ser transformado em um trabalho digital? Pode virar código, bits, bytes? Já parou para pensar nisso no futuro do trabalho?

A automação da força de trabalho pode dar um arrepio na espinha para alguns. Chamada de quarta revolução industrial, acaba se formando a partir da unificação ou convergência entre dispositivos e plataformas digitais, físicas e biológicas. Até mesmo os carros estão se tornando autônomos.

Sempre fomos meio catastróficos para lidar com esse tipo de novidade. Parece sempre o mesmo discurso de “uma coisa mata a outra”. Será? Para alguns casos sim. Para outros, realmente, prepare o caixão e as velas, e podem beber o defunto.

Sinais importantes sobre o futuro do trabalho

futuro do trabalho

Elon Musk é reconhecido executivo do mercado e taxado de ousado e inovador. Tem no currículo a criação e participação em companhias como o PayPal, a SpaceX e a Tesla Motors. Ele acredita em uma automatização muito grande ao ponto de precisarmos de uma “pensão universal”. Porque o avanço será tão grande que não haverá função para as pessoas.

O assunto também é pauta do historiador Yuval Noah Harari, professor da Universidade Hebraica de Jerusalém. O estudioso vem se consolidando como um dos principais pensadores do momento. É autor de obras como Sapiens e Homo Deus. “Não temos nenhuma garantia de que os trabalhos que vão surgir serão suficientes para compensar os que vão desaparecer. Também não está claro se os humanos serão capazes de realizar esses novos trabalhos melhor que a inteligência artificial. E, ainda, um terceiro problema é quantas pessoas terão a habilidade necessária para se reciclar”, afirmou em entrevista ao El País.

Para complementar, até mesmo Bill Gates entrou nessa discussão de forma até surpreendente. O fundador da Microsoft e hoje com grande atuação no campo da filantropia, acredita que os robôs que roubarem empregos das pessoas deveriam ser taxados com impostos. Esses recursos levantados seriam suficientes e revertidos para financiar os serviços sociais.

A quarta revolução industrial

Os meios de comunicação passaram por essa narrativa a cada inovação. Da passagem do rádio para a TV. Na música, do vinil para o CD. Mas vivemos um momento único no qual o impacto parece mais obscuro. A potência da digitalização é gigantesca e sem precedentes, como por exemplo o streaming de vídeo (Netflix) e de áudio (Spotify), só para citar alguns.

Da mesma forma que a revolução industrial tirou a força braçal do trabalho e transformou a relação profissional – do artesanato e manual para a máquina e a criação do conceito de classe social e seus assalariados -, a revolução digital também vai chacoalhar a utilidade e os modelos estabelecidos de relações de trabalho.

Mas tudo será digitalizado?

Podemos usar exemplos dos mais simples aos mais complicados para falar sobre o futuro do trabalho e, invariavelmente, vamos encontrar algo – um processo, um recurso, um modelo, uma ação que possa hoje ser digitalizada. Parece cruel? Sim. Mas é a realidade que temos hoje.

E, além do que se imagina, os robôs, dotados de inteligência artificial, a internet das coisas (IoT, ou Internet of Things) estão substituindo todo tipo de trabalho. Um bom exemplo da troca de trabalho braçal são os robôs domésticos. Hoje em dia eles ultrapassaram a tarefa de aspirar pó e já limpam vidros e passam pano pela casa

No campo intelectual há uma infinidade de opções, mas vou ficar apenas em um que parecia distante: jornalismo. A prática, inclusive,  já avança sobre alguns temas de grande relevância para audiências. A Associated Press, por exemplo, vem fazendo parte da cobertura da liga norte-americana de baseball – um dos esportes mais acompanhados dos Estados Unidos – a partir de um “robô jornalista”. Assim como já há software que escreve textos repetitivos, como os sobre Bolsas de Valores e mercado financeiro.

Há diversos campos que serão muito afetados por essas tecnologias.

McKinsey Automatização do Trabalho

Se você ainda não está convencido sobre essas mudanças no futuro do trabalho, há ainda um estudo da Universidade de Oxford, produzido em 2013, portanto quatro anos atrás, que prevê o fato de que robôs serão responsáveis por até 50% dos empregos no mundo até meados de 2030.

A crise entre gerações

Curioso é que quando estamos no papel de consumidores, de clientes, buscamos sempre o melhor, aumentar o consumo, ter do bom e do melhor. Por outro lado, quando nos vestimos de trabalhadores, estamos sempre em busca de algo que traga a tão sonhada felicidade, equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal. Essa geração produtiva de agora tinha certeza que trabalharia menos e teria salários mais altos que de seus pais hoje. Mas, ao menos nos Estados Unidos, é o contrário que vem acontecendo.

O cenário ainda é bastante confuso. Some a tudo isso um acelerado envelhecimento da população em termos globais, o que também vai interferir demais na forma como a força de trabalho vai se configurar.

Eu faço parte da geração que soma 69% dos que querem estar em uma grande organização. Mas apenas 56% dos millennials pretende isso, diz estudo The future of work – A reorientation guide, da Deloitte.

Deloitte Futuro do Trabalho

As razões para as empresas investirem na substituição ou no complemento de ferramentas digitais parece bastante óbvia quando olhamos para alguns indicadores considerados essenciais para a sustentabilidade de toda e qualquer organização no mundo atual e no futuro.

Accenture Futuro do Trabalho

No estudo Being digital – Embrace the future of work and your people will embrace it with you, feito há dois anos pela Accenture, é isso que os executivos das corporações estão esperando.

“(…) Os líderes empresariais esperam que esses benefícios sejam conduzidos por uma variedade de tecnologias e ferramentas, como interfaces 3D, realidade virtual, assistentes cognitivos, inteligência artificial ou robôs. Eles também reconhecem a influência da Internet das coisas (IoT) em transformar as práticas de trabalho nos próximos três anos – 67% dos líderes empresariais reconhecem o seu impacto.”

Os próximos anos

Para a PwC, o cenário pode se dividir em três grandes mundos ao longo dos próximos anos. A consultoria chegou a essa conclusão ao entrevistar 10 mil pessoas na Alemanha, China, Índia, Reino Unido e Estados Unidos.

PwC Futuro Trabalho

A mesma PwC, em seu UK Economic Outlook 2017 afirma que, ainda que todas as evoluções tecnológicas também criem novos trabalhos e postos, também vão eliminar, em um futuro muito próximo, uma parcela importante dos empregos existentes no mundo. Segundo o levantamento, até 2030 devem consumir 21% das vagas no Japão, 30% no Reino Unido, 35% na Alemanha e cerca de 38% nos Estados Unidos.

Temos uma grande discussão acontecendo ao longo dos últimos anos. Apesar de ter um impacto gigantesco na forma como vivemos (ou viveremos) esse debate não ganhou a força suficiente ou a relevância que deveria. Ainda parece mais com uma conversa de cafezinho, quase um papo de boteco. Talvez por ser assustador. Ou mesmo porque a gente não queira admitir que isso pode (e/ou vai?) acontecer em alguns anos.

Você já está preparado ou pensando em como vai ser o seu trabalho e o do seu time nos próximos anos? E em como os profissionais com quem você lida – sejam parceiros, fornecedores e até mesmo clientes – vão atuar? Passou da hora de refletir a sério sobre isso.



Aline Sordili

Aline Sordili, é jornalista com especializações no mercado digital pela New York University e pela Hyper Island. Atualmente, é diretora de desenvolvimento de novos negócios da Record TV, consultora de empresas, professora e palestrante.

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