A nova fronteira do prosumer tourism

05-01-2018 Publicado por Comportamento 0 comentário em “A nova fronteira do prosumer tourism”

Estamos em época de férias agendadas. E o festival de fotos de lugares paradisíacos ou nem tanto nas redes sociais deixa todo mundo com vontade de passear. É o momento de viajar, conhecer novas culturas, lugares, pessoas.

Para escolher o que fazer e onde ir, a gente sempre vai consultar e pesquisar destinos e preços na internet. Podemos destacar muitas razões que fazem este movimento ser bastante interessante – uma oportunidade, inclusive, perdida pelas agências de turismo já estabelecidas no mercado.

A possibilidade de criar seu roteiro, de forma que atenda exatamente as suas necessidades, é o que chamamos de prosumer tourism. O consumidor constrói o serviço da forma que faz mais sentido para ele, em todas as esferas.

Prosumer tourism

Facilidade

Com um smartphone na mão ou conectividade no computador, tudo isso somado à grande adoção do uso de mídias sociais, ficou muito simples pesquisar sobre lugares, hospedagem, alimentação, passeios.

Personificação

As pessoas gostam ou preferem receber dicas de outras pessoas e não necessariamente de uma marca. Ainda que o contato seja realizado a partir e por meio de plataformas digitais, essa personificação humaniza a relação e torna o diálogo mais fluido. Como já aprendemos a lidar com a internet e estamos muito mais críticos, tendemos a desconfiar sempre das mensagens de empresas.

Experiência x coisas

Uma nova geração tem escolhido organizar as finanças para comprar menos e economizar para poder viajar. A melhor ideia de todos os tempos não?

Pesquisa realizada pela Momondo, mostra que os brasileiros vêm preferindo gastar seus recursos mais com viagens do que com roupas e equipamentos eletrônicos. O estudo aponta que 36% dos entrevistados dão prioridade a gastar com viagens, enquanto 13% afirmaram  que preferem investir o dinheiro na aquisição de um celular novo, tablet, TV ou computador, e 12% acham melhor consumir roupas, sapatos e acessórios.

E o mercado não pára de evoluir. Até mesmo neste ambiente digital há grande efervescência. Primeiro lembrávamos daquela viagem que um amigo próximo relatou e perguntávamos a ele.

Surgiram então agregadores de informações com opiniões de todo tipo – Yelp, TripAdvisor, entre diversas outras possibilidades. Na sequência ganhamos os marketplaces. Kayak, Trivago, e muitos outros que nos ajudam a encontrar as melhores opções de acordo com a necessidade – classificação, preço, localização, etc.

Chegamos ao momento dos influenciadores. Ah, mas isso não é novo. Claro que não. Os influenciadores digitais estão aí para comprovar. Já falamos, inclusive, do digital concierge por aqui. Mas, na cola deles, que conquistaram espaço e relevância em segmentos e mercados, vimos nascer, ao longo dos últimos aqueles que ajudam a definir os destinos e atividades em uma viagem.

Estamos na era do que vem sendo chamado de prosumer tourism. O termo prosumer vem da fusão das palavras em inglês professional e consumer. Identifica aquele que tem tanta experiência sobre o tema, como usuário, como comprador, que acaba gerando informações e conhecimento suficiente ao ponto de ser compartilhado com outras pessoas.

São uma espécie de especialistas que ocuparam um espaço aberto e passaram a fornecer informações apuradas, oferecer roteiros alternativos quando comparados com aqueles de agências de viagens e muito frequentados por todo e qualquer turista. Muitos blogueiros passaram a atuar nessa linha e se tornaram referência. Mas também não foi suficiente. Tem mais vindo por aí.

Curadoria com tecnologia

As mídias sociais já consolidadas e adotadas pelo grande público estão sendo utilizadas como base para a criação de alternativas. Integração de bases, inteligência de dados e algoritmos tornam o caminho entre a decisão e uma viagem cada vez mais tranquilas e simples de serem realizadas.

O aplicativo Sherpa, por exemplo, usa a popularidade a base de fotos dos usuários do Instagram para fazer uma curadoria e entregar guias que retratam os locais e opções.

Uma ideia muito relevante considerando que cada dia mais privilegiamos mídias audiovisuais. A parte boa é que ele ilustra a vista desses lugares sob o ponto de vista dos próprios turistas, com grande pluralidade de perspectivas.

Até pouco tempo, era possível encontrar diversas possibilidades como esta. O Lopeca, quer fazia o pessoal passar vontade para quem ainda não estava em férias. Permitia acessar um dispositivo no local desejado e visualizar vídeos ao vivo produzidos por quem estivesse lá.

Outra opção era o Krumb. Unificava serviço com uma pitada de game. Ele combinava várias mídias sociais e aplicativos de mapas, permitia incluir mensagens e histórias sobre os locais que só poderiam ser visualizadas quando se estivesse lá.

O problema é que boa parte deles já não existe mais. Não tiveram fôlego suficiente para se manterem na ativa ou simplesmente não encontraram modelos comerciais que justificassem novas rodadas de aportes feitos por investidores. Mas há uma outra razão que pode justificar a extinção deles.

Gente grande no jogo

Tem sido complicado lidar com a hegemonia de Google e Facebook no mundo digital. As duas companhias encontraram modelos de negócios extremamente rentáveis que garantem não só a possibilidade de investir em muitas e muitas frentes de pesquisa e desenvolvimento, mas também de comprar novas empresas e inserir novos recursos em suas plataformas.

Ao adicionar o Stories, tanto no Instagram quanto no Facebook, a mídia social garantiu uma sobrevida aos influenciadores digitais – que agora podem explorar essa funcionalidade para contar suas histórias, experiências, vivência com um toque especial de personalização para quem os acompanha.

Por outro lado, qualquer pessoa que esteja em férias, viajando – e não só um influenciador – torna-se também um prosumer tourism ao apresentar sua experiência ao vivo, em vídeo ou numa sequência de fotos.

O Google também está de olhos bem abertos para o segmento de turismo e não é de hoje. Só para termos uma ideia, veja as diversas funcionalidades já oferecidas no leque de plataformas que a companhia oferece.

Não bastasse isso, começa a colocar em xeque os marketplaces de turismo. A começar aqueles que trabalham com passagens aéreas. Faça o teste e digite, por exemplo, “passagem Salvador” no buscador. No menu aparecerá a opção voos. Clique nela e verá que ele realiza a pesquisa de local, data e valores.

Mesmo sem a personificação, Com esses competidores de peso, será preciso encontrar caminhos muito relevantes e personalizados para garantir um lugarzinho ao sol no universo do turismo. Qual será o próximo estágio?



Helena Sordili

Atua na área de design há quase 20 anos. Há 15 anos desenvolve projetos de design digital como sócia da Carranca Design, onde trabalha na direção de arte e atendimento aos clientes.

Conteúdo Relacionado

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Quero Receber as Novidades do Blog