Posts tagged "mídias sociais"

Kevin Systrom, CEO e fundador do Instagram, no anúncio do IGTV

IGTV e as perguntas que as marcas precisam fazer

julho 15th, 2018 Publicado por Mercado, Social Media 0 comentário em “IGTV e as perguntas que as marcas precisam fazer”
Kevin Systrom, CEO e fundador do Instagram, no anúncio do IGTV

Kevin Systrom, CEO e fundador do Instagram, no anúncio do IGTV

Funcionalidade de TV criada pelo Instagram para combater diretamente o Youtube traz muitas promessas, mas também muitos desafios para as marcas

 

Controlar o fluxo da informação é um dos fortes do Facebook, o detentor da plataforma de fotos e vídeos Instagram. Desde que se tornou o gigante da internet, fez aquisições que fazem sentido. As maiores delas foram o WhatsApp e o Instagram, que completam a ideia de Zuckerberg sobre continuar conhecendo os hábitos de consumo e de informação de seus usuários, além de saber sobre o que as pessoas falam.

Com a queda do alcance do Facebook – que agora só garante alcance para atingir os públicos em ações pagas – houve uma migração em massa das marcas para o Instagram. Vieram, na sequência, mudanças de algoritmos e, consequentemente, redução também do alcance na plataforma de imagens. E muitas outras firulas foram adicionadas, especialmente no último ano.

O mais recente e inovador recurso é o IGTV, uma funcionalidade de vídeos verticais e mais longos, que deve colocar a plataforma em confronto direto com o Youtube. Em resumo: a TV do Instagram, como diz o próprio nome. Há dois anos, na conferência anual promovida pelo Facebook, o “mobile first” foi deixado de lado, considerado já um patamar atingido pela companhia.

Mark Zuckerberg anunciava, então, que a nova e mais importante proposta da empresa era o “vídeo first”. E passou então a privilegiar este formato de conteúdo.

Era o momento ideal para ocupar um espaço diante do Youtube, duramente criticado há tempos pela falta de moderação dos conteúdos. Tanto pelos “creators” – como o caso do jovem “influenciador” que transmitiu um suicídio – como por associação de publicidades de marcas com conteúdos ofensivos existentes na plataforma.

Surge, então, um questionamento relevante. O formato oferecido pelo Instagram e seu IGTV é o ideal? O vídeo vertical tem suas características próprias. O que fez sucesso até então estava atrelado à produção de conteúdo menos profissional, mais casual e sem necessariamente qualquer tipo de amarração com o tempo.

O Instagram pode, e vai, desenvolver a cultura para este tipo de vídeo. Mas isso pode levar um tempo. É uma aposta. Arriscada? Quem sabe. O Facebook já estabeleceu tantos padrões para o uso de mídias sociais que fica difícil contestar lançamentos e novidades. Os caras realmente sabem o que fazem e não dão ponto sem nó.

Soma-se a isso o fato de que vídeos mais curtos têm mais sucesso (o próprio Facebook sabe disso). Outra conta que precisa ser feita aí é qualidade e custo de banda. Vídeos mais longos consomem mais banda. Em outros países pode nem ser uma preocupação, mas no Brasil, um país inundado de pré-pagos e custo altíssimo de uso de internet móvel, talvez o modelo demore um pouco a engrenar.

Tem muita pesquisa por aí apontando que o vídeo vai dominar o consumo de conteúdo nos próximos anos, inclusive e principalmente em dispositivos móveis. Não há dúvidas de que isso já deixou de ser até mesmo uma tendência e a cada dia se torna mais realidade.

Exemplo de publicação no IGTV

Exemplo de publicação no IGTV

Na prática, o IGTV reúne um pouco das principais tendências da comunicação:

Vídeo – é o formato que vem se consolidando como o principal na produção, distribuição e consumo de informações;

História – com a morte lenta e dolorosa dos modelos tradicionais de publicidade, marcas precisam investir cada vez mais em um roteiro bem produzido e boas histórias para contar (o já famoso storytelling), que criem conexões e identificações com seus públicos;

Mobilidade – boas histórias em formato de vídeo e na palma das mãos, rodando em um dispositivo que virou extensão do corpo das pessoas.

Do ponto de vista do usuário, parece o mundo ideal. Pode acabar se tornar mais uma ferramenta relevante de interação social e digital.

 

E para as marcas?

 

Navegação dentro do APP IGTV

Navegação dentro do APP IGTV

Fiquei pensando aqui no efeito disso para o marketing de uma organização. E levantei alguns pontos que precisam ser avaliados e que destaco abaixo:

  • O custo de produção de vídeos vem caindo ao longo dos últimos anos, mais ainda não é tão baratinho e não cabe no bolso de toda e qualquer empresa. Como evoluir nessa frente com cada restrição orçamentária?;
  • No lançamento da plataforma, o Instagram já mostrou a que veio e trabalhou em parceria com “creators” famosos por canais no Youtube. Como uma marca pode escapar da armadilha de ficar presa a “influenciadores digitais” para conseguir alguma relevância nesta nova funcionalidade?;
  • Como resistir à tentação de tentar produzir conteúdos em formatos de vídeo que possam ser aproveitados ao máximo, em vários canais e formatos, considerando as características técnicas e de hábitos de consumo de cada um deles?;
  • Quais os critérios devem ser usados para escolher uma ou outra plataforma? Já perceberam como é difícil encontrar um mesmo modelo que possa ser publicado no Youtube, no Facebook, no IGTV etc.?
  • E qual o sentido de se fazer isso, já que as especificidades e experiências em cada uma das plataformas são diferentes. Quanto isso vai exigir a mais no orçamento já que a marca teria de replicar ou reeditar para um novo formato e com outras especificidades?;
  • Como apontam alguns especialistas atentos à jornada do consumidor, será preciso pensar além do canal. A estratégia de produção de conteúdo tem de considerar a experiência do usuário no consumo de vídeo pelos smartphones e não necessariamente a maneira como o público usa plataforma X ou Y. Parece simples, não? Mas não é.
  • Quando se trata de um canal, ele mesmo faz questão de mostrar os caminhos, desenhar a trilha. É interesse dele. Mas conduzir uma pesquisa com representatividade que permita traçar com bons insights o consumo de informação em um meio pode levar tempo e sair caro demais;
  • Com a tendência de vídeos mais curtos, investir em conteúdos mais longos é uma ousadia e tanto. Vídeos mais longos significam mais custo de produção. De certa forma, um dos retornos sobre o investimento teria de ser o engajamento (mais tempo assistido, mais interações, mais compartilhamentos);
  • Quanto tempo vai levar para o Instagram reduzir o alcance orgânico do que é produzido e publicado no IGTV? Ao longo da história, diminuir a abrangência do conteúdo é a estratégia básica das empresas do Facebook. Se isso acontecer, quanto valerá a pena produzir estes conteúdos para uma audiência orgânica muito baixa?;
  • Sob o ponto de vista de monitoramento de reputação, trata-se de mais um recurso que limita – assim como o recurso do Instagram Stories e as próprias funcionalidades em vídeo – a visibilidade do que se fala sobre a empresa no ambiente digital. Monitorar vídeo e imagens ainda é uma tarefa bastante difícil e cara para as marcas.

O discurso está na ponta da língua dos executivos das marcas. Mas quando o branded content é avaliado sob o ponto de vista de estratégia e execução, ainda são poucas as marcas que conseguem se destacar e têm fôlego suficiente para bancar anos de investimento sem esperar o retorno no curto prazo.

Leia também:

Tecnologia, saúde e solidão

maio 27th, 2018 Publicado por Comportamento 0 comentário em “Tecnologia, saúde e solidão”

As plataformas de mídias sociais que revolucionam, curam, propiciam experiências de satisfação e alívio podem criar dependência e dor, na mesma proporção. Para onde estamos caminhando, afinal, em termos de saúde, tecnologia e solidão e onde podemos chegar com tudo isso?

Fonte: Bored Panda

Um dos temas mais importantes debatidos na edição 2018 do SXSW, para além das tendências, foi justamente algo bem delicado e intrigante: a saúde mundial. E sob vários pontos de vista. A legislação em diferentes lugares do mundo, os impactos da solidão no corpo e na mente humana e, acima de tudo, uma tecnologia que pode revolucionar sistemas, prontuários e interligar diagnósticos e uma população inteira, mas que pode, simultaneamente, adoecê-las e criar dependências em diferentes graus.

Em uma série de conferências realizadas ao longo do evento, especialistas tentaram discutir (e por que não dizer, decifrar?) de que forma a tecnologia pode ser essencial nos assuntos ligados à saúde pública e privada e em que ponto exato ela deixa de ser um aliado para transformar-se num vilão.

A gente pode começar falando, entre as investigações positivas, por exemplo, na adaptação dos chamados exoesqueletos, aquelas engenhocas que podem melhorar a qualidade de vida de deficientes e propiciar uma “mobilidade além da cadeira de rodas”, permitindo que eles possam permanecer em pé e caminhar.

Isso pode garantir a estas pessoas uma melhor qualidade de vida, sem atrofia dos membros e acúmulo de lesões na pele – males que costumam atingir pessoas que passam muito tempo sentadas.

Alguns desses exoesqueletos, inclusive, poderiam ser controlados por ordem direta do cérebro. Seriam a mais genial manifestação de “wearables”, as tecnologias que podem ser agregadas ao corpo. Inclusive uma das novidades apresentadas por lá foi justamente o Harmony, um robô criado por uma equipe da Universidade do Texas que pode ajudar pacientes vítimas de lesões neurológicas causadas por AVCs.

Ao longo dos dias de evento, foram várias as discussões sobre atendimentos remotos a pacientes e a criação e adequação de prontuários eletrônicos, que podem facilitar o atendimento a um paciente, seja qual for o médico que ele consultar.

Até mesmo na medicina, a palavra de ordem do momento é “experiência”: é preciso garantir que a pessoa não apenas fique curada, mas repense sua vida de maneira saudável e, de preferência, com o auxílio da tecnologia.

A realidade virtual e a realidade aumentada também entraram em pauta, como possíveis aliadas em processos de fisioterapia e reabilitação. Outro exemplo positivo está nos investimentos feitos pelo Google neste sentido. O modelo de machine learning desenvolvido pelo gigante da tecnologia está muito próximo de ajudar a detectar câncer com um índice altíssimo de precisão.

Em debates mais “pé no chão”, maneiras concretas para que o uso dos dados armazenados pelos hospitais durante tratamentos e internações possa de fato ajudar os médicos na tomada de decisões. E, claro, uma forma de garantir a segurança dessa enorme base de informações, de forma a resguardar a segurança e a privacidade das pessoas.

Mas são debates, como sempre se vê na SXSW, de tendências e possibilidades futuras. Algumas coisas mais próximas da realidade viável, outras até parecem sonhos de uma noite de verão no Texas, mas já começam a ganhar forma e devem chegar ao público ao longo dos próximos anos. O mais curioso foi que, desta vez, a tecnologia passou a ser considerada também como uma adversária para a saúde mental.

A psicóloga Ramana Durvasula, professora na Universidade Estadual da Califórnia, em Los Angeles, e especialista em narcisismo, abordou em sua palestra, por exemplo, como essa característica humana é incentivada o tempo todo pela tecnologia, especialmente no uso das mídias sociais, e acaba por “destruir a saúde mental das pessoas”, devido à dificuldade em conviver com quem fala de si mesmo em tom elogioso o tempo todo.

Sim, você está pensando naquele amigo que tira 20 selfies de si mesmo todos os dias na academia – e em como cada uma daquelas imagens te incomoda por te obrigar a olhar para sua própria barriga em estado de crescimento.

Isso faz mal à sua saúde mental: causa irritação, frustração, inveja, sentimentos que podem virar gatilhos para crises de ansiedade ou depressão. Eventualmente, essas pessoas perfeitas nem sequer existem; há vários perfis no Instagram, a rede por excelência do narcisismo, que são falsos, chamados de “modelos digitais”, personagens que arrastam consigo dezenas de milhares de seguidores, que se inspiram na maquiagem, no vestuário e no estilo de avatares.

Você já ouviu falar de Shudu Gram?

E mesmo quem passou, desenvolveu projetos ou liderou equipes nestas grandes plataformas sociais parece ter se arrependido e faz alerta. “As redes sociais estão dilacerando a sociedade”, disse Chamath Palihapitiya, um ex-executivo do alto escalão do Facebook que se lamenta de ter participado da criação de ferramentas que promovem este modelo.

E, vejam só, ele não foi o único. Sean Parker, um dos primeiros presidentes do Facebook, afirmou que a empresa “explora uma vulnerabilidade da psicologia humana” o que acaba por definir um “ciclo de retroalimentação de validação social”.

Outro executivo da companhia, Antonio García-Martínez, diz não acreditar na plataforma quando ela fala que não influencia as pessoas em função dos dados que coleta sobre elas e escreveu um livro, Chaos Monkeys, sobre seu trabalho na empresa.

Um vício com impacto no corpo

Fonte: Bored Panda (Asaf Hanuka)

As mídias digitais viciam. Mais do que isso: são feitas para viciar. Os exoesqueletos sonhados pelos médicos de certa forma já existem e atendem pelo nome de telefone celular: um eletrônico que serve quase como um apêndice de nossos membros superiores.

Faça a experiência: vá a um restaurante comum na hora do almoço e conte quantas pessoas, sozinhas ou acompanhadas, estão mais entretidas com seus eletrônicos do que com a própria comida ou o companheiro de mesa – e não há plaquinha de “Não temos wi-fi, conversem entre si” que faça as pessoas desgrudarem os olhos da tela.

As consequências para a saúde das pessoas já estão começando a aparecer. Várias pesquisas apontam o impacto do excesso de tecnologia para a visão, com o crescimento de casos de fadiga visual, que podem levar a outras doenças. Há médicos sugerindo o uso de lentes fotossensíveis para reduzir tal impacto.

Há também relatos de ortopedistas sobre o aumento de casos de dores na coluna por causa da postura incorreta de quem fica o tempo todo de olho no celular, com a cabeça inclinada para a frente; segundo pesquisa feita por uma equipe norte-americana, inclinar-se para a frente por causa do smartphone é como usar um colar com quatro bolas de boliche penduradas – ou cerca de 27 kg.

Mas o impacto maior mesmo é para a saúde mental. A gama de aplicativos que fazem de tudo nos obriga a manter o celular sempre por perto, causando uma dependência impensável anos atrás.

Você se lembra da última vez que esqueceu de levar o carregador do aparelho para o trabalho e ficou horas sem poder consultá-lo? “Não posso ficar sem celular, é minha agenda, converso com meus filhos, monitoro meu saldo bancário”, você já está pensando enquanto lê o texto. Além disso, é ali que você consulta suas redes sociais, bate papo à toa para fugir um pouco do estresse do trabalho…

Nas escolas, o grande desafio dos professores hoje não é conseguir o silêncio nas salas de aula, mas fazer com que os estudantes foquem sua atenção para a lousa – muitas vezes, ela também eletrônica – em vez de olhar para o celular.

Estratégias para adequar o ensino à modernidade vêm sendo feitas, mas ainda encontram resistência entre os mestres mais tradicionalistas e sofrem com dificuldades de infraestrutura, especialmente em escolas públicas.

O contexto anda tão complexo que chegamos ao ponto de viver em uma era na qual surgem “estrelas” de Instagram que sequer existem, mas que conquistam legiões de fãs. Em que jovens começam a procurar cirurgia plástica para ficarem mais parecidas com as imagens que produzem de si mesmas, as famosas selfies, a partir de filtros disponibilizados pelas plataformas.

Um momento até de discussões sobre o que deve ser feito com os “restos digitais” de pessoas que morrem. Uma fase em que nós nunca estivemos tão conectados e com o sentimento de tão sozinhos.

A humanidade no centro

Fonte: Bored Panda (Angel Boligan)

Vinton Cerf, vice-presidente do Google, foi o idealizador de um projeto chamado People-Centered Internet – em tradução livre, “a internet focada nas pessoas”. No site oficial, ele se apresenta como “uma coalisão internacional criada para garantir que a internet continue a ajudar as pessoas a satisfazer suas necessidades e atingir seus objetivos online”.

Entre os benefícios desse uso estariam “o crescimento autodirigido por meio de educação, oportunidades econômicas e o crescimento de uma comunidade através dos meios de comunicação”.

Na prática, a entidade tem feito parcerias para ampliar a infraestrutura digital em comunidades pobres ou devastadas por catástrofes naturais. A ideia, garantem os criadores, é estender cada vez mais ao mundo os benefícios e vantagens da internet.

Tudo isso se parece muito com as previsões otimistas feitas por especialistas como o linguista canadense Marshall McLuhan, que lá nos anos 60 pensava no mundo como uma “aldeia global”, com distâncias cada vez mais curtas por causa das redes de comunicação (ele morreu pouco após o estabelecimento da TV por satélite).

Ou do sociólogo espanhol Manuel Castells, seu herdeiro, que sempre destacou a “cultura da internet” como algo que valorizava a colaboração e a construção coletiva de projetos. Eles só não contavam com a dependência do homem em relação à tecnologia.

É sobre essa dependência real que alguns cientistas começam a se questionar. É certo colocar toda nossa vida sob controle de um mecanismo frágil e que pode nos deixar na mão a qualquer momento, por causa de uma queda ou mesmo de um furto?

Em palestra no TED norte-americano, em abril, o cientista Jaron Lanier, um dos maiores especialistas do mundo em realidade virtual, apontou um grande dilema: a cultura gratuita que encantou a internet em seus primórdios levou à necessidade de ações para, afinal, pagar as contas.

E isso culminou no estabelecimento, aos poucos, de uma gigantesca indústria de publicidade dirigida, encarnada hoje pelos gigantes Facebook e Google, que, na visão de Laneir, “não é mais propaganda, é modificação de comportamento”.

Sabe aquela sensação de prazer quando sua selfie ganha um like do gatinho da mesa ao lado no escritório? Para ele, é mais ou menos a mesma coisa que um comportamento dirigido e treinado, como o ratinho de laboratório que ganha um pedaço de queijo depois de percorrer o caminho correto entre duas gaiolas.

O caminho a percorrer, como em tudo nessa vida, parece ser o do meio termo. Se não é possível abrir mão dos gadgets o tempo todo, por conta dos compromissos e realizações profissionais, que saibamos nos preservar alguns momentos.

Como na hora do almoço: que tal, em vez de ficar no celular, se permitir dar atenção ao cheiro da comida, ao sabor da sobremesa, aos sons dos pássaros pelo caminho e à conversa com o amigo? Não é fácil, mas não é impossível tentar.

 

Cursos de Content Marketing Digital

janeiro 30th, 2018 Publicado por Cursos, Marketing de Conteúdo 1 comentário em “Cursos de Content Marketing Digital”

Content Marketing Digital

A equipe da Sordili.com, e seus professores convidados, estão com um pacote de cursos de Content Marketing Digital na ESPM-SP (Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo).

O objetivo do PROGRAMA AVANÇADO EM MARKETING E COMUNICAÇÃO DIGITAIS é preparar e aprimorar o profissional de diversas áreas para produzir e gerir com sucesso seu negócio ou sua carreira nas plataformas digitais (portais, redes sociais e dispositivos móveis).

Ensinar estratégias de Content Marketing Digital para planejar e gerir projetos digitais: como usar melhor vídeo, texto, áudio, fotografia e design para promover a fidelidade à marca e criar confiança na marca e nos serviços.

Faça o download do arquivo do curso.

Content Marketing Digital

Tópicos abordados:

Inovação em Marketing – 24/02/2018
Professores: Aline Sordili e Antonio Guerreiro

Inbound Marketing – 07/04/2018
Professoras: Helena Sordili e Aline Sordili

Avançado em Redes Sociais – 05/05/2018
Professores: Eduardo Vasques e Helena Sordili

Youtube Marketing – 02/06/2018
Professora: Aline Sordili

O combo completo de cursos de Content Marketing Digital pode ser pago em até 8x no cartão de crédito.

 

Por que a tua marca tem de investir em vídeos no Facebook?

setembro 13th, 2017 Publicado por Marketing de Conteúdo, Social Media, Todas as categorias 0 comentário em “Por que a tua marca tem de investir em vídeos no Facebook?”

Falamos sobre a vida transmitida ao vivo e em vídeos na estreia deste blog. Essa tendência de transformar boa parte do conteúdo produzido em vídeo tem algumas razões. Não só nosso apego ao formato do ponto de vista de consumidores, mas também porque algumas das principais plataformas vêm investindo em tornar tudo audiovisual. É o caso da maior mídia social do mundo: o Facebook.

Se você não se deu conta, preste atenção. Abra seu smartphone, acesse o Facebook e comece a navegar pela linha do tempo. Conte quantos vídeos serão exibidos para você em pouco tempo de rolagem. Até cerca dedois ou três anos, o CEO da companhia, Mark Zuckerberg tinha deixado claro o direcionamento: “Somos uma empresa mobile first”. A meta foi atingida.

“Eu vejo o vídeo como uma megatendência.” Essa frase foi proferida por Zuckerberg numa conferência com investidores realizada no início deste ano para falar sobre os ganhos do quarto trimestre de 2016. “É por isso que vou continuar a colocar o vídeo à frente de nossa família de aplicativos”.

Para ficarmos apenas com os dados do Brasil, 46 milhões de pessoas acessam o Facebook diariamente por dispositivos móveis.

Facebook dados Brasil

O direcionamento agora é outro. Atento ao movimento e forma de consumo de informação, o Facebook quer ser uma empresa video first. O anúncio foi feito pelo próprio Mark Zuckerberg, em novembro de 2016, ao comentar os números do consumo de vídeo na mídia social.

O foco principal está nos chamados millennials, isto é, pessoas com menos de 30 anos. Aos poucos, o Facebook foi incorporando modelos que beneficiam o conteúdo em vídeo, como aumentar o alcance orgânico de publicações para criadores de conteúdo nesse formato. Depois, veio a investida de combater diretamente o crescimento do Snapchat, com adição de live e stories.

O Facebook lançou, no último dia 31 de agosto, a plataforma Watch, o serviço de vídeo da plataforma, que vai entregar conteúdo com curadoria, mas deve abrir para os próprios usuários, assim como acontece no Youtube. O lançamento do Watch é também uma forma de o FB manter o faturamento publicitário, que está migrando para conteúdos visuais. Leia aqui a explicação sobre o Watch.

Em 2014, já havia indícios, com a transmissão de conteúdos do BuzzFeed e New York Times. Há, ainda, parceria firmada com BuzzFeed, Vox Media e outros, “novos” veículos que estão se consolidando e fincando o pé como meios de entretenimento e informação para o público mais jovem. A expectativa é que, a partir desse acordo, saiam programas proprietários do Facebook.

É importante que, como tudo feito pelo Facebook até hoje – o que lhe garante a quase hegemonia entre as plataformas sociais disponíveis atualmente –, as decisões estão muito bem embasadas em dados. A própria ferramenta já é um grande laboratório para analisar o comportamento da audiência e extrair insights relevantes.

Segundo informações do próprio Facebook, o consumo de um conteúdo no desktop leva em torno de 2,5 segundos, enquanto que no mobile esse mesmo conteúdo leva 1,7 segundos para ser absorvido. As pessoas podem se lembrar de um conteúdo no feed de notícias depois de vê-lo por apenas 0,25 segundos.

vídeos no facebook

A mídia social também usa estudos de mercado. De acordo com a NeuroMobile, uma pesquisa realizada pela SalesBrain com 70 adultos dos Estados Unidos, com idades entre 18 e 49 anos, verificou que a atenção dada pelas pessoas a um anúncio visualizado no smartphone é 82% maior que a aplicada a um anúncio de televisão. Ainda segundo o levantamento, que foi encomendado pelo Facebook, a distração em dispositivos móveis é 79% menor quando comparada com a TV.

A estratégia também leva em consideração o “Cisco Visual Networking Index: Global Mobile Data Traffic Forecast Update”, documento publicado pela Cisco, em março deste ano. O relatório aponta que, até 2020, 75% de todo o tráfego de dados em dispositivos móveis acontecerão no formato de vídeo e que 100 milhões de horas de vídeos são consumidas todos os dias no Facebook.

Os vídeos mais curtos apresentam mais sucesso e audiência entre os públicos do Facebook. A base da estratégia ainda deve estar centrada inicialmente em produções curtas, considerando que boa parte da audiência consome por smartphone e planos de dados questionáveis (em boa parte de alguns países).

vídeos no facebook by Ooyala

Fonte: Ooyala Global Video Index, 2015

O que o Facebook quer, afinal?

A principal mídia social do mundo quer ir além da competição com a TV. Entre os planos estão não só os conteúdos em vídeos – com filtros, ao vivo, 360 –, mas também que esses vídeos sejam episódicos, roteirizados ou não, e de alta qualidade. Você volta e consome… Volta e consome… Ou nem precisar sair. Fica o máximo de tempo possível na plataforma, assiste tudo dentro do Facebook, sem sair, sem se dispersar.

A promessa é também adicionar anúncios no meio dos vídeos para ampliar as receitas. Isso elevaria, segundo o próprio Zuckerberg, o modelo de vídeos do Facebook a um novo nível e ainda possibilitaria aos criadores de conteúdo ganhar dinheiro com isso.

A proposta de combate ao YouTube – que passou a remunerar produtores de conteúdo de grande audiência – é clara. Mas não só isso. O consumo de informações em vídeo é massivo entre os jovens. As notícias não serão mais lidas nos próximos anos; elas serão assistidas. E, nessa frente, ainda que apresente dúvidas sobre rentabilidade, o YouTube fincou um pé mais forte que o Facebook. Somam-se a isso outros gigantes de peso, como a própria Amazon, com seus serviços de streaming, e a Netflix, com modelo de assinatura acessível e produções próprias.

E há ainda informações de bastidores. Segundo reportagem do Wall Street Journal, existe a possibilidade até do Facebook investir no desenvolvimento de um set-top box – como o AppleTV ou ChromeCast – para fomentar sua estratégia de vídeos.

Entre as informações mais recentes, a empresa está tomando medidas para reativar sua estratégia. A chefe de parcerias com veículos, Campbell Brown, anunciou, faz pouco tempo, uma versão de conteúdo pago com revenue share para os publishers no modelo de assinatura.

Essa batalha é antiga. Ainda hoje, há meios grandes de comunicação que não permitem que seus conteúdos sejam, por exemplo, exibidos nos resultados de busca do Google. Os veículos tradicionais se queixam de não ter controle sobre o que circula nessas plataformas e que Facebook e Google se beneficiem do trabalho de milhares de produtores de conteúdo para ganhar com mídia, sem a devida compensação financeira, é claro.

“Uma das coisas que ouvimos em nossas reuniões iniciais de muitos jornais e editores digitais é que ‘queremos um produto de inscrição’”, disse a executiva. É uma tentativa de agradar a seus fornecedores de conteúdo, que reclamam bastante da baixa performance financeira do Instant Articles.

O modelo de incentivar e compartilhar receitas e remuneração com os produtores de conteúdo, segundo a companhia, tem como premissa impulsionar todo o ecossistema.

A dura realidade

Já entendemos que o futuro da comunicação está no vídeo. Mas, convenhamos, não é tão simples quanto parece. Por mais que o custo de produção desse tipo de mídia tenha caído de forma assustadora nos últimos anos, o modelo não cabe na maioria dos bolsos dos departamentos de marketing. Ainda mais se for uma estratégia de longo prazo.

O próprio mercado comprova isso. O estudo “Mídias Sociais 360”, relativo aos últimos três meses (maio a julho de 2017), realizado pelo Núcleo de Inovação em Mídia Digital (NiMD) da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap) em conjunto com a fornecedora da plataforma Socialbakers, mostra que ainda há predominância de textos e imagens em detrimento dos vídeos.

videos facebook faap

O segmento de entretenimento já deu um passo, ainda que pequeno. Cerca de 25% dos posts já são publicados em forma de vídeo. Quando olhamos para “Marcas e Institucional”, entretanto, mais de 70% dos conteúdos publicados na plataforma de Zuckerberg entre abril e junho ainda levam somente imagens. O mesmo acontece com “Mídia e Notícias”, que direciona com links para seus sites proprietários, tentando abocanhar uma parte da audiência do Facebook.

A importância do criativo nos vídeos para Facebook

vídeos no facebook

A aposta é alta, mas não pode ser qualquer coisa. Produzir conteúdos ruins afasta os usuários, que é o que o Facebook menos quer. Por essa razão, a mídia social encontrou uma forma de identificar e avaliar a qualidade dos posts.

Basicamente, a fórmula, chamada de eCPM, traz uma pontuação de relevância do conteúdo e se configura como:

eCPM = [bid (quanto está disposto a pagar pelo target (x) probabilidade de realizar a ação] + relevance score (que é a relevância do seu conteúdo, do seu criativo)

A nota, que varia de 0 a 10, classifica como o público-alvo está reagindo ao seu anúncio. Isso está disponível para qualquer campanha. Segundo especialistas do próprio Facebook, quando está abaixo de 7, atrapalha a performance e é ruim. Isso quer dizer que você está pagando caro para atingir sua audiência – calcula-se que esse “caro” seja de 30% a mais do que deveria.

Para ajudar nesse processo, a própria plataforma fornece ferramentas que são úteis para o desenvolvimento e realização de testes. Seguem algumas:

Audience insightsFerramenta de planejamento que permite adicionar o público que se pretende atingir com aquele anúncio. Traz também dados que auxiliam na compreensão de audiências específicas.

Creative hubPermite consultar, a partir do login, referências de criativos, stories, canvas e diversos outros formatos. Também verifica e possibilita a realização de testes de conteúdos já produzidos, bem como compartilhar de maneira privada até mesmo com o cliente via mobile.

Brand resourcesHá muitas regras impostas pelo Facebook para a produção de conteúdo que será disponibilizado na plataforma. Isso faz com que uma parcela significativa seja barrada. Para evitar que isso aconteça no momento da publicação, isto é, quando o conteúdo já está pronto, essa ferramenta oferece o pré-teste para ver se o anúncio será aprovado ou não.

App legendAplicação que permite ao usuário colocar palavras em movimento ou adicionar legendas. Em etapas fáceis e simples, é possível criar um anúncio em vídeo.

Tem mais alguma dica de ferramenta bacana para compartilhar? Me manda, que eu atualizo o post.

fita métrica

Digital dá voz e vez ao plus size

agosto 14th, 2017 Publicado por Comportamento, Todas as categorias 2 comentários em “Digital dá voz e vez ao plus size”

Tatiane, 37, jornalista, sempre teve uma relação complicada com o próprio corpo. E isso, naturalmente, refletiu de forma negativa em diferentes momentos de sua vida: na escola, com as amiguinhas que a olhavam assustadas com as diferenças; ou no colégio, quando esperava ser paquerada pelos colegas. O primeiro namoro veio só aos 23 anos.

Amanda, 26, estudante de psicologia, conta que teve suas fases “cheinhas” na infância, mas nada que chamasse muito a atenção alheia. Aos 11 anos, as coisas desandaram, segundo ela mesma: em questão de dois anos, chegou a pesar 75 kg e as amigas da mãe já davam “alertas”, na frente dela, sobre como cuidar de seu peso – é uma de suas lembranças mais nítidas. As roupas legais de adolescente nunca serviam. A frustração ganhou seu ponto alto num passeio escolar, quando toda a turma foi passar debaixo de uma árvore e ela não conseguiu, por conta do tamanho.

Ao começar a conversar com a Karol, 35, analista judiciária, ela já manda de cara seu cartão de visitas. “Peso 133 kg e sempre fui fora do padrão”, diz. Ela nasceu com mais de 5 quilos e, por isso, sua luta contra o excesso de peso vem desde o nascimento. Conta que, sozinha, até passava despercebida, mas em grupo, sempre destoou das demais crianças da mesma idade. Sua batalha sempre foi muito difícil e os resultados desastrosos. O chamado efeito sanfona a obrigava a vestir roupas de adulto ainda criança. E adolescente, por fim, não encontrava mais peças que coubessem.

Todas essas histórias reais que você leu acima foram colhidas de forma totalmente espontânea, mas são interligadas por um elemento-foco: a internet. Foi por meio dela que nos conhecemos, conversamos, trocamos ideias e histórias. E foi essa mesma internet que transformou a vida dessas e de milhares mulheres fora do padrão.

Conexão com a autoestima

Cansada do engorda e emagrece, sempre com o engorda em dose dupla, Tatiane passou a entrar em contato com outras mulheres obesas pelas redes sociais. E isso teve uma participação decisiva no resgate da autoestima –mesmo que momentâneo e circunstancial. “Encontrar outras gordas que fossem felizes com seu corpo foi o estímulo de que eu precisava para me aceitar mais, e tratar meu corpo e a mim mesma com um pouco mais de amor. Frequentar bazares e eventos direcionados foi outra inspiração – afinal de contas, onde mais eu veria tanta gorda sorrindo ao mesmo tempo? E até hoje, saio renovada só de encontrar e ouvir as pessoas”.

Apoio nas redes sociais

Foi aos 13 anos que Amanda iniciou sua jornada entre nutricionistas, médicos e psicólogos. Sua primeira dieta, ela lembra, não foi restritiva – focava em aprender a comer melhor e caminhar sempre que possível. Foram 17 quilos eliminados e uma sensação de vitória. Mas a família mudou-se para o interior do estado de Pernambuco e a rotina mudou completamente. Os médicos mudaram, ela descobriu uma tireoidite de Hashimoto e passou a tomar hormônios fortíssimos – nunca mais conseguiu emagrecer e manter-se no peso, desde então.

“A maior parte da minha vida foi sempre oscilando, triste, passando por aqueles momentos de “amigas” dizendo que, se a pessoa é gorda, não tem razão pra comer coisas “não saudáveis”. Vergonha de festas e piscinas, praias, sempre uma dificuldade de achar roupas legais no tamanho e sempre os “meio” elogios, como “você tem um rosto tão bonito, ia ficar gata se emagrecesse” ou “tu é tão bonitinha de rosto, só falta emagrecer” – inclusive da minha mãe. Nunca tive alta autoestima, e essas coisas também em nada me ajudaram”.

Amanda considera uma ironia ter chegado ao estágio plus size saudável e com um bom condicionamento físico. Diz que era sempre espantoso apresentar seus exames para outras dezenas de endocrinologistas e nutricionistas que frequentou nos últimos anos. Depois de sucessivos fracassos, como ela mesma considera, resolveu consultar a internet para descobrir se esse era um problema exclusivo dela.

“Com mais ou menos 15 anos, passei a ler textos feministas, porque achava muita coisa injusta. Um dos blogs que me ajudou muito foi a Lola (já pensei até em escrever pra ela e contar sobre alguns casos de gordofobia que passei na vida), que tinha muito material sobre aceitação. Também sempre tive um gostinho por biologia, então vivia pesquisando como funciona meu corpo, o que também ajudou muito a não aceitar muitas coisas impostas ou muitas críticas infundadas por aqueles que só olham o peso e já vão dizendo besteira. Nas redes sociais, encontrava discursos do tipo ‘você tem que se amar como é’, ‘teu peso não representa sempre tua saúde’, ‘pessoas são diferentes’, ‘organismos funcionam diferentes’. São muitos blogs legais, e sempre tem alguém disposta a expor essas questões”.

Amanda adotou uma política: em sua rotina virtual, evita pessoas preconceituosas e perfis do estilo “vida fit 100%”. Segundo ela, é possível contar nos dedos os que realmente prezam pela saúde física e mental sem ligar pra massa gorda. Ler estas blogueiras, a história de vida dessas pessoas como questão social me ajudou muito porque, até a adolescência, eu era 100% a menina que aceitava todos os xingamentos e acreditava na visão dos outros – ainda tenho isso, mas diminuiu demais e foi uma salvação pra mim”.

A força do ambiente digital

plus size

“O ambiente digital ampliou o acesso a coisas que antes não tínhamos alcance, nem no melhor cenário de otimismo”. Karol sempre se sentia mais confiante a cada vez que perdia um pouco de peso; era inevitável. No entanto, depois de 34 anos, meses e meses em spas, duas cirurgias, dezenas de dietas e muitas sessões de terapia, ela finalmente descobriu que seu peso não era determinante em sua felicidade.

Longe de ser uma ativista, Karol encontrou seus próprios mecanismos de defesa para evitar aborrecimentos com o assunto: ignora solenemente tudo o que diz respeito. “Não vou negar que existem situações nas quais percebo olhares, sorrisos, piadas, e isso me magoa profundamente, mas só naquele momento. Depois, eu passo por cima. Eu não consigo acreditar na ideia de que tenho que me impor, de que tenho que ser aceita. Porque simplesmente não tenho. Sou igual às outras pessoas e ajo como tal. Creio que agir com naturalidade faz com que o meio acabe se adaptando. Sei que o preconceito existe, mas acredito que as minhas atitudes fazem com que o meio acabe percebendo que sou igual, sem que eu precise forçar nada”, relata.

Dados que impressionam

Tatiane, Amanda e Karol são apenas testemunhas dos números do setor de plus size, que não as deixam mentir. De longe, é um dos setores que mais cresce no comércio eletrônico brasileiro, mesmo com todas as crises e maus momentos econômicos. De acordo com o relatório E-bit Webshoppers, publicado em 2015, a divisão de moda e acessórios cresceu 17%, em 2014, movimentando cerca de R$ 150 bilhões. Dentro desse crescimento, 62% dos pedidos foram femininos.

Ainda segundo o mesmo relatório, um dos responsáveis por esses números são os e-commerces de moda plus size, que hoje movimentam aproximadamente R$ 4 bilhões ao ano, com um crescimento médio anual de 6%. A Associação Brasileira do Vestuário (Abravest), por exemplo, afirma que as centenas de lojas virtuais especializadas no segmento são responsáveis por uma média de 5% do faturamento total de moda no país. Não dá pra desconsiderar! Em 2012, já se estimava que o setor crescesse cerca de 10% ao ano só no Brasil. E já havia mais de 200 lojas especializadas. Hoje, são mais de 300, segundo a Abravest, sendo 60 delas virtuais.

O pessoal do Repórter Unesp chegou a preparar um especial sobre o tema e a selecionar algumas das marcas que trabalham com este universo.

Se o mercado evolui, a razão é óbvia: a demanda. Segundo o relatório “Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional na América Latina e Caribe”, da Organização das Nações Unidas, divulgado em janeiro de 2017, mais da metade da população brasileira está com sobrepeso e a obesidade já atinge 20% das pessoas adultas no país.

O sobrepeso em adultos no Brasil passou de 51,1%, em 2010, para 54,1%, em 2014. A tendência de aumento também foi registrada na avaliação nacional da obesidade. Em 2010, 17,8% da população eram obesas; em 2014, o índice chegou aos 20%, sendo a maior incidência entre as mulheres, com 22,7%. Outro dado do relatório é o aumento do sobrepeso infantil. Estima-se que 7,3% das crianças menores de cinco anos estão acima do peso, sendo as meninas as mais afetadas, com 7,7%.

Porém, além dos números da ONU, é impossível ignorar que o setor também ganhou notoriedade e visibilidade pelo meio digital: blogs de moda e comportamento que pregam a aceitação de todos os padrões e biótipos; o fim da obrigação dos padrões preestabelecidos socialmente; e, claro, a autoestima dessas consumidoras, que se ajudam e se completam num nicho diferenciado e muito especial.

A voz nos canais digitais

As blogueiras plus size também são parte importante dessa mudança de comportamento. Cansadas da falta de representatividade em muitos setores, elas “aumentaram o tom” (e o número de cliques). E a identificação foi imediata, especialmente entre o público feminino.

Ju Romano é uma delas. São mais de 62 mil inscrições em seu canal no YouTube, 172 mil seguidores no Instagram e mais de 4 mil no Twitter. E ainda leva em seu currículo um anúncio de energético que deu o que falar ao lado de outro ícone do plus size brasileiro, Flavia Durante – empresária e jornalista, criadora do primeiro bazar especializado em plus size no país e responsável por grande influência digital sobre o tema.

Como já dizia Philip Kotler, Flavia atentou a um mercado cujas necessidades não estavam sendo bem atendidas há anos. Ou eram roupas “de velha”, ou caretas demais ou muito caras. A autoaceitação é o maior tempero para o segmento e se vier bem vestida e adequada, muito melhor.

Sentir ou reconhecer de forma objetiva suas próprias capacidades e realizações – e também das próprias limitações, que se diga – é o segredo para inflar esse mercado específico e, porque não dizer, o meio pelos quais essas informações (e formações) circulam e se propagam. A ausência de autoestima é frequentemente vista, nas discussões psicológicas, como uma característica importante de um distúrbio emocional.

Este movimento é bastante importante sob o ponto de vista da identificação de grupo. As redes, em seu formato e constituição, são hoje o veículo mais poderoso no sentido de divulgar, de projetar conceitos, ideias, percepções.

Em 1992, as psicólogas sociais dos Estados Unidos Riia Luhtanen e Jennifer Crocker desenvolveram até uma medição para o que se classifica de autoestima coletiva – a Collective Self-Esteem Scale (CSES), na qual os respondentes avaliam seu pertencimento grupal geral em quatro subescalas referentes à estima do pertencimento: as avaliações do seu valor como membro do grupo; do valor do grupo; das percepções alheias em relação ao grupo; e, por fim, a importância do grupo para a sua identidade.

Ainda é cedo para mensurar a estima deste pertencimento. O mercado ainda é jovem e desponta – as primeiras notícias em veículos brasileiros sobre o movimento plus size datam de 2012, aproximadamente. Entretanto, essas iniciativas e esse sentimento multiplicado, retuitado, favoritado de ser aceito e aprovado por um grupo ou pela sociedade como um todo são, certamente, os fatores mais louváveis das iniciativas dessas mulheres.

O plus size e o mercado

Mas se a estratégia e o engajamento já funcionam entre as consumidoras, os empresários ainda precisam de atualização e de uma mudança considerável de comportamento e visão de futuro. Ainda é notório o alheamento[ATT1]  dessa parcela do mercado – a que detém e comanda os meios – em relação à realidade das mulheres que, teoricamente, deveriam cuidar e fidelizar.

Público virtual e marcas não andam juntos, pois muitas dessas marcas ainda não desejam associar seus produtos a um padrão que não transmita aspiração ou seja convencional. O preconceito ainda supera (e muito) a visão empresarial, mesmo com os anseios de uma considerável parcela.

Em uma reunião para reformular seu site, por exemplo, certo executivo de uma famosa grife de moda feminina deixou bem claro às arquitetas da informação que contratou: “esse é o nosso público, e não há nenhum interesse em associá-lo a nada diferente disso”. Disse isso ao receber a ideia de diversificação das modelos apresentadas em fotos com suas peças de roupa.

Em alguns casos, há o medo de arriscar, do desconhecido. Já consolidadas, muitas grifes não se importam com a associação, mas têm receios de investir nesse novo mercado, repleto de particularidades. Há diferenças na estratégia de negócios, dizem os especialistas: desde a modelagem, comercialização e até mesmo no ainda restrito número de fornecedores.

Seja como for, é inegável pensar em mudanças no segmento – tanto por parte de quem fornece como para quem compra. As consumidoras desejam, de fato, reforçar positivamente marcas que aderiram à moda, mas, principalmente, precisam aceitar a si mesmas. Ainda há uma boa parcela desse público, frequentando ou não as redes sociais, que não aceita as próprias curvas, nem se orgulha delas.

Empresas do ramo, por sua vez, também precisam aceitar o crescimento inegável desse nicho e dar o braço a torcer para o enorme potencial que ele apresenta. Seja na internet ou fora dela, mais gente consumirá, divulgará os produtos, mais clientes satisfeitas, mais concorrência, preços mais competitivos – essa ainda é uma característica negativa, justamente pelas restrições impostas pelo mercado.

No e-commerce ou no mercado físico, mais importante que a abertura do segmento é a aceitação dele. Precisamos entender os desejos dessas mulheres e as suas histórias para que as experiências futuras sejam, finalmente, de plena satisfação, sem dores, mitos ou fantasmas.

Com reportagem de Juliana Damasceno

dark social mídia

Não ignore a existência do dark social

julho 6th, 2017 Publicado por Social Media, Todas as categorias 0 comentário em “Não ignore a existência do dark social”

As primeiras citações da expressão dark social são de 2012. Mas até pouco tempo ninguém dava muita atenção para isso. Porém, as diversas possibilidades de comunicação que temos atualmente acabaram ampliando demais as chances de encontrarmos um volume grande de dados que não conseguimos identificar com precisão a origem.

O mercado digital mexeu com a cadeia de negócios de todas as empresas e indústrias. Mas trouxe, também, algumas lendas e mitos. Umas delas é que tudo é muito barato ou é de graça. Mais ou menos, cara pálida. Não é bem assim. Se puxarmos um fiozinho, vamos perceber que no fim alguém sempre paga a conta. Além disso, um bom trabalho no universo digital exige profissionais cada vez mais qualificados e competências específicas, o que encarece projetos.

Outro mito é que “podemos medir absolutamente tudo”. Claro que há uma infinidade de métricas hoje disponíveis quando tratamos de projetos digitais. Se compararmos com os meios tradicionais de comunicação, então, affff, dá até vergonha. Mas também não é assim tuuuudo, tuuuudo. E o melhor exemplo disso é o que se convencionou chamar de dark social: o mercado que a gente sabe que existe, mas não consegue medir.

O crescimento exponencial do uso de dispositivos móveis, de mídias sociais e, principalmente, de uma infinidade de aplicativos de mensagens instantâneas em redes privadas tende a agravar ainda mais este cenário.

O que é dark social

O termo foi criado para explicar aqueles compartilhamentos que surgiram de diversas plataformas e meios, mas que não conseguem ser completamente mensuradas pelas ferramentas de análise. O primeiro a usar esta expressão foi Alexis Madrigal, jornalista do The Atlantic. Ele percebeu que mais de metade do tráfego que chegava ao veículo ia diretamente para o um artigo, sem passar pela página principal do site.

Até aí, tudo certo. O problema é que a URL dos artigos era enorme. Não havia a menor possibilidade de alguém decorar ou ditar para que alguém tivesse acesso. E então, ele começou a investigar.

Sabe aquela matéria sobre emagrecimento que sua tia mandou pelo Whatsapp? Ou aquele e-mail com um link que você enviou para você mesmo para ler com mais calma em casa e continuar a pesquisa? E aquele link que você compartilhou com os amigos em uma lista de discussão que vocês criaram para falar sobre carros e motos?

E a busca que você fez pelo modo anônimo, do Chrome também entra nessa conta aí. Todo mundo que trabalha com conteúdo e campanhas no Facebook também sabe que não consegue mais medir a partir de um determinado ponto.

Pode parecer besteira, mas pense bem. Ah, mas eu tenho tudo muito bem tagueado. Minhas campanhas de mídia estão organizadas, os posts de mídias sociais saem com todos os parâmetros e o trabalho de SEO (Search Engine Optimization – ou otimização do site para ferramentas de buscas) vai de vento em popa.

Vale, entretanto, fazer o teste. A partir do momento em que você analisa as referências principais para o seu site e exclui acessos diretos, pagos, o tráfego de referência e aquele proveniente de mídias sociais, perceberá que ainda sobre uma parcela relevante.

Mas há muitos caminhos hoje como estes que acabam, de certa forma, poluindo e torna uma visualização nebulosa sobre uma parcela significativa da audiência de seu site. Parece que o tráfego direto do seu site é enorme, quando na verdade não é.

A crise do dark social

E aí, meus caros, entra o fator cruel dos negócios: impossibilidade de avaliar, de aplicar inteligência para criar hipóteses. Sem as hipóteses, não há caminhos a serem definidos, alterados, aprimorados. Isto é muito ruim porque quanto maiores as incertezas e conclusões, mais difíceis ficam as tomadas de decisão.

Então, não podemos ignorar o dark social. Mais do que isso. Acaba reduzindo a oportunidade de trabalhar com dados em tempo real, retardando a determinação dos próximos passos em termos de comunicação e marketing.

Em estudo produzido pela Warc em parceria com a Deloitte, os dados até assustam. Segundo o levantamento, 84% dos compartilhamentos acontece pelas plataformas sociais privadas. Mas quando olhamos para o investimento em marketing nas plataformas sociais, 90% está sendo aplicado em plataformas públicas, abertas.

Ok, meio exagerado. Até o Buzzfeed, um dos sites de maior audiência do mundo acha que o autor original do texto pegou pesado. E foi produzir uma análise mais profunda. A começar pelo perfil da audiência. Em pessoas com idade mais avançada (e de certa forma usuárias menos pesadas de mídias sociais), o e-mail ainda é preferência no compartilhamento de informações.

grafico dark social

De acordo com um estudo desenvolvido pela RadiumOne, quase 70% de todas as referências on-line globalmente provêm de dark social, conforme aponta o gráfico.

dark social

Mas, Aline, como eu posso lidar com isso considerando o fato de que é extremamente difícil saber como o link de meu site está circulando por aí e gerando audiência? Afinal, os dados com origem no dark social podem até dar uma representação mais real de sua audiência e interesses de seus públicos.

Não há uma receita pronta ou algo que vá resolver todos os seus problemas, mas existem iniciativas que podem ajudar.

1. Admita que o dark social existe e analise

Não pense que todo aquele tráfego direto do seu site é realmente direto. Entenda que boa parte do que está chegando ali vem de fontes que você não consegue identificar. E tente analisar com mais cautela a distribuição de seus conteúdos. Tente aprofundar também a avaliação sobre os conteúdos mais acessados por tráfego direto. Este tipo de informação pode dizer muito sobre sua audiência.

2. Tagueamento é fundamental

Sim, você precisa tentar criar uma possibilidade de rastro em absolutamente tudo o que pretende divulgar sobre sua marca ou o universo de sua empresa no ambiente digital. Existem tantas opções para se fazer isso que não dá mais para usar outra desculpa. Aproveite para usar encurtadores para divulgar seus links. Isto ajudará na diferenciação do tráfego direto e identificação de algumas origens.

3. Invista no conteúdo

Cada vez mais conteúdo passa a ser a alma do relacionamento que você tem com seus públicos de interesse. Ele precisa ser vivo e, principalmente, social. Além de todos os recursos e ferramentas que você pode disponibilizar de compartilhamento, criar, manter o conteúdo vivo é importante. Isto porque conteúdos mais antigos tendem a ter menor impacto nas plataformas de mídias sociais abertas.

Além disso, as pessoas não costumam compartilhar em suas timelines histórias que sejam antigas, a não ser que haja um contexto muito relevante para isso. Outro ponto relevante: quanto mais social for uma história, menores as chances do tráfego direto ser alto.

As pessoas vão espalhar sem necessariamente se preocupar com a forma com que fazem isso. E isso acontece porque um tema que se torna relevante no social tem potencial de ganhar repercussão no aberto e não nas redes fechadas, privadas ou no e-mail.

No fim das contas, não importa se você não consiga dar precisão à origem do tráfego em seu site, o importante é conseguir mexer com as pessoas a partir do seu conteúdo, isso gera relacionamento, construção de marca. Audiência é audiência, não importa o meio.

passos mídias sociais

3 passos para um bom marketing nas mídias sociais

julho 4th, 2017 Publicado por Infográficos, Social Media 0 comentário em “3 passos para um bom marketing nas mídias sociais”

Já parou para pensar em como você desenhou ou pretende montar a estratégia de atuação da sua marca nas mídias sociais? Tudo parece muito fácil quando encaramos essas plataformas do ponto de vista de usuário.

O problema é que, quando estamos falando de uma empresa, as coisas são bem diferentes. E podem se tornar bem mais complexas e induzir a erros. Existem alguns segredinhos que podem te ajudar a conduzir as mídias sociais na corporação. Conheça, neste infográfico, três passos que ajudam a sua companhia a deslanchar neste universo.

Infográfico: 3 passos para um bom marketing nas mídias sociais

passos redes sociais

Infográfico: erros comuns nas redes sociais

junho 20th, 2017 Publicado por Infográficos, Social Media 0 comentário em “Infográfico: erros comuns nas redes sociais”

As mídias sociais devem compor o mix de marketing de qualquer companhia. Isto permite criar um relacionamento e um diálogo próximos com seus públicos de interesse. E, até pelo dinamismo imposto pelas constantes atualizações das plataformas e mudanças de comportamento das audiências, é muito fácil pisar na bola. Confira, neste infográfico, como não cometer deslizes básicos com sua marca nas redes sociais. Prestar atenção nestes detalhes é fundamental para manter uma boa reputação uma excelente imagem.

Infográfico: erros comuns nas redes sociais

Erros comuns em redes sociais

Já ouviu falar em Instagrammable Fitness?

junho 19th, 2017 Publicado por Social Media, Todas as categorias 0 comentário em “Já ouviu falar em Instagrammable Fitness?”

“Criar uma identidade para um representante
do que seria você do jeito que você gostaria
de ser parece a realização de um desejo”
Candice Alcantâra

Escolhi a obra “Cumplicidade Virtual” para contar uma novidade que já anda pegando por aí e fazer um paralelo entre tecnologia e psicologia que, a meu ver, é bastante interessante. Acredite, já é tendência em alguns lugares.

Instagrammable Fitness

As Instagrammable Fitness são instalações com design moderno para atrair uma fatia de público bastante fiel. Os chamados estúdios de fitness “conceito” prometem, acima de tudo, uma experiência esteticamente agradável. Uma nova forma de seduzir o grande público ávido por conceitos que impulsionam motivações estéticas e sociais – tudo ao mesmo tempo. E sem perder tempo.

Pra quê? Simples: juntar consumidores modernos, preocupados com sua imagem transmitida por meio das mídias sociais e, claro, com a boa forma também. Inclusive, já existem exemplos físicos que comprovam o sucesso desta tendência.

No distrito de Flatiron, em Nova York, uma academia de boxe transformou completamente seu espaço – antes masculinizado, um tanto opressor até mesmo para os frequentadores habituais. O “Shadowbox” continua sendo um ginásio, porém bem mais descolado e aconchegante – nada daquele visual de academia Rocky Balboa de subúrbio.

Instagrammable Fitness

O interior calmo e convidativo inspira belíssimas imagens, durante a malhação – não há dúvidas. E os cuidados não param por aí: a seleção musical que acompanha os atletas na casa passa por uma curadoria. As paredes de tijolo originais foram mantidas, contrastando com um teto ornamentado de estanho e uma iluminação remanescente de uma fábrica que ali funcionava, décadas atrás. 

Nem é preciso entrar para sentir o clima diferenciado: a área de boas-vindas funciona como um bar e café, com vista para o ponto principal do ginásio, um ringue de boxe vintage. Não à toa, a academia é chamada carinhosamente de “Boutique Boxing Gyms”.

“É como se todo mundo que um dia falou
que queria ser diferente pudesse ser diferente,
em um lugar distinto, construindo novas relações,
conhecendo novas pessoas
e se comportando da forma que não consegue
por vezes na vida real”.
(ALCÂNTARA, 2013)

The X – Adidas

No “The X”, da Adidas, a gente pode tranquilamente parafrasear aquele antigo bordão de novela: “cada passo é um flash”. Localizado em Londres, o espaço de treinamento para mulheres projetado no Victoria Park é multifacetado e, além de oferecer uma decoração atraente e colorida, ainda sustenta salas para realização de eventos diversos.

Concebido como um espaço “pop-up” itinerante, o The X foi um sucesso total como Instagrammable Fitness: corridas de grupo, sessões de ioga, aulas de boot camp, sessões para apresentações de produtos da marca, jantares e até oficinas de produção de smoothies – as bebidas saudáveis e indispensáveis para os “fitness de carteirinha”. 

“Com certos comportamentos, podemos perceber
o que é importante para os usuários do software
em sua vida fora dele.
Qual a utilidade de vestir uma roupa de grife
e qual a importância de formar novos grupos de amigos?
As mesmas que na vida real: a diferença é que, no jogo,
isso se torna mais acessível e manipulável”.
(ALCÂNTARA, 2013)

E quem foi que disse que esporte e conhecimento não podem dar uma corridinha juntos, lado a lado? Em Nothing Hill, a Gym Library quer provar que sim, é possível. Caracterizado pelos próprios londrinos como “deslumbrante”, o espaço é todo decorado com livros antigos, em capas de couro e peças vintage de treinamento, que contrastam com os equipamentos ultramodernos espalhados pela casa.

A Library funciona quase como um clube exclusivo. E, segundo seus proprietários, a ideia era justamente tirar aquela ideia de “adrenalina” do ambiente, transformando-o em um lugar belíssimo, aconchegante – o que pode modificar totalmente a experiência de seus sócios já no momento da adesão.

Antes de ser reinventada, funcionava na ampla construção uma lindíssima sinagoga. E muitos detalhes dela foram preservados.

As academias das grandes marcas

E para quem achou tudo isso um pouco demais, deixo ainda mais uma: o Nike Crystal Coliseum, em Toronto, Canadá, que nada mais é que uma academia flutuante. Isso mesmo: uma barcaça flutuantes que foi reaproveitada pela marca, em pleno Lago Ontário. O estúdio especial é direcionado às mulheres e se destaca por ser muito arejado e repleto de luz.

São 33 níveis de treinamento, ancorados por professores renomados de toda a América do Norte. E, claro, os grandes lançamentos em calçados e vestuário especializado totalmente disponíveis para as exigentes clientes.

Mas como nosso papo aqui não trata (apenas) de decoração, seria legal fazermos uma associação de todas estas tendências aqui apresentadas com números interessantes e padrões diversificados de comportamentos.

É sedutor, interessante, quase irresistível a um público que se acostumou a dividir seus progressos físicos com a família e os amigos – além dos nem tanto – perder cenários como esses e não registrá-los em suas redes pessoais.

Mas tudo isso está longe de ser uma invenção das Instagrammable Fitness, ou academias boutique: desde que o mundo é mundo, todos sonhamos com uma vida perfeita, sem problemas, com nossos objetos “necessários” ao consumo, pessoas à nossa volta, lugares bonitos pra se estar e viver, saúde, felicidade. E, se o cenário der aquele empurrãozinho na “venda” deste conceito para os nossos seguidores, por que não aquela foto, com aquele filtro especial, naquele momento em que suor e o desgaste, aparentemente, estragariam o registro?

Por que fazer isso no Instagram?

E o Instagram é o lugar perfeito pra isso! Criado em 2010 por um norte-americano e um brasileiro, a plataforma foi vendida para o Facebook dois anos depois. O seu embrião, chamado Burbn, já atraiu cerca de US$ 500 mil em investimentos logo de cara – mesmo com vários problemas técnicos. Desenvolvido inicialmente apenas para o sistema operacional iOS, logo ganhou o mundo com suas aplicações de filtro, curtidas, comentários e angariou cerca de 1 milhão de usuários em questão de meses.

E o que mais pode reunir um sem número de pessoas em volta de uma comunidade virtual do que a possibilidade de ver e ser visto? Do que a vaidade humana?

Em abril deste ano, o Instagram anunciou mundialmente a meta atingida de 700 milhões de usuários ativos – e 100 milhões de “instagrammers em ritmo acelerado”. Seja lá o que isso queira dizer exatamente, desde que foi parar nas mãos de Mark Zuckerberg, a rede social explodiu em acessos.

Instagram X Snapchat

Nos últimos dois anos, pra ser mais exata, o número de usuários da plataforma dobrou. Naturalmente, os administradores associam o sucesso à usabilidade, simplificação e aprimoramento do aplicativo. Vídeos, histórias ao vivo, mensagens diretas – o que acabou desbancando seu principal concorrente, o Snapchat. Aliás, lembra dele?

Para aumentar a fidelidade de seus usuários, o programa agora pode ser usado também off line – o que foi carregado enquanto se estava conectado a uma rede poderá ser acessado. E as curtidas, comentários ficarão ali registrados e postados, para quando ele novamente se conectar. Em resumo: tentador não observar os movimentos de longe.

Mas o sucesso absoluto do Instagram (e das Instagrammable Fitness), como vimos acima, vai além da sua simplicidade no uso: tem a ver com o narcisismo humano, com razões que talvez só a psique conheça. Um certo hedonismo onde a dor dá lugar ao prazer, as lutas se escondem atrás de felicidade. Um lugar onde a satisfação e a autorrealização estão acima das necessidades reais.  E o egocentrismo, que tem se tornado quase uma doença social, é sintetizado e exposto. Com filtros.